LUDUTOPIA

sexta-feira, 3 de abril de 2015

"A Metamorfose", de Franz Kafka



Sinopse:
Franz Kafka nasceu em Praga (Checoslováquia), em 1883, e levou na sua cidade natal uma existência medíocre de apagado burocrata, até vir a morrer, em 1924, no sanatório de Kierling, próximo de Viena.
Os fragmentos da sua obra que publicou em vida não conheceram qualquer assomo de êxito, e nada deixava supor a importância que viria a adquirir na literatura universal.
Se não foram os cuidados do seu amigo Max Brod, que assegurou a publicação póstuma dos seus livros, o mundo não teria conhecido um dos maiores escritores de língua alemã do século passado.
No seu espólio literário destacam-se In Der Strafkolonie, Ein Prozess, Das Scloss, Amerika, além de A Metamorfose (Die Verwandlung), que apresentamos.
O que mais impressiona nos escritos de Kafka e está bem patente nesta obra é o desespero do homem perante o absurdo do mundo. Neste aspeto, o nome de Kafka situa-se de pleno direito entre os das mais privilegiadas testemunhas do nosso tempo.
Além de A Metamorfose, o presente volume inclui ainda "O Novo Advogado" e "Um Médico de Aldeia".



Opinião:
A obra foi escrita em 1912 e publicada três anos depois mas, apesar disso, é bastante atual, porque explora temas características da sociedade de hoje, como a solidão, a exploração, a impotência, a fuga aos problemas e a crise existencial.

Kafka apresenta-nos logo Gregor Samsa de forma crua, como um homem que acabou de acordar transformado num inseto. Ao longo da obra apercebemo-nos que o Gregor poderia ser uma barata, mas esse ponto não é tão fulcral para o desenrolar da história, porque a metamorfose é uma metáfora para uma grave doença.

Gregor Samsa é um caixeiro-viajante que deixou de ter vida própria para sustentar os seus pais e a sua irmã, aliviando-os de uma dívida para com o seu patrão. Quando o personagem principal assumiu as despesas da família, ela acomodou-se e explorou-o ao ponto de ficarem em casa sem trabalhar, mas ainda assim terem uma empregada para tratar da limpeza e refeições. Contudo, com a metamorfose de Gregor, a vida deles dá uma reviravolta e veem-se obrigados a cuidar do filho. Porém, quem assume essa função é a Grete, irmã de Gregor, que mais tarde começa a olhar o irmão como um fardo e perde o interesse em saber se ele come ou não a comida que lhe coloca no quarto todos os dias. É curioso saber que o Gregor é que se transforma num inseto, mas os parasitas são a família dele.

Toda a obra é uma crítica à sociedade moderna, que usa e deita fora as pessoas quando não lhes interessa. Gregor trabalhava numa área que não gostava e era abusado pelo chefe no trabalho, para apenas salvar a família da falência e quando ele precisou dela, viraram-lhe as costas. Inclusive, com a metamorfose, praticamente não saiu do seu quarto, porque os pais não o permitiam.

O fardo da família Samsa acaba quando Gregor morre e eles decidem ir passear, já que não o faziam há muito tempo por causa do inseto. Nesse passeio os pais apercebem-se que está na altura de Grete arranjar um marido. Este pensamento leva-nos a crer que os pais pretendem, futuramente, apoiar-se financeiramente na filha.

A leitura de "A Metamorfose" é bastante fluída, uma vez que a escrita do autor é acessível. Kafka consegue transmitir-nos exatamente os sentimentos de Gregor: o seu ódio ao trabalho, o desespero ao ver-se transformado, a rejeição que sente vinda pela sua própria família. Apesar da inesperada transformação, ele acaba por aceita-la, não deixando de ser o mesmo interiormente. As suas crenças mantiveram-se. Esta obra ensina-nos que devemos aceitar as mudanças, pois as aparências não importam, desde que tenhamos os mesmos valores. Porém, a grande lição que o livro nos dá, é que devemos fazer aquilo que mais amamos, algo que nos garante, primeiramente, a nossa felicidade e não a dos outros.

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